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29 de setembro de 2011

Ele vos batizará com Espírito Santo e com fogo! Que fogo é este?


“E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (Mateus 3:11)


O Senhor batiza com o Espírito Santo e com fogo. Que ‘fogo’ é este?

Segundo a hermenêutica bíblica (prática da interpretação das Escrituras Sagradas) há fatores importantes que devem ser levados em conta quando analisamos o texto sagrado. Conhecer o ‘autor’, o ‘porque escreveu’ e o ‘para quem escreveu’, são ferramentas valiosíssimas para uma boa compreensão do texto. No intuito de se preservar a ortodoxia dos ensinamentos bíblicos, desenvolveu-se na hermenêutica bíblica, uma série de regras para “nortear” o estudo da interpretação. Vamos analisar, então, o texto de Mt 3:11 segundo as três principais leis da hermenêutica sacra: A Lei do contexto, a Lei dos textos paralelos e a Lei do autor.

1. Lei do contexto – O contexto é o "lugar" onde o versículo em questão está inserido; qual o tema ou assunto que está sendo abordado nos versículos anteriores e posteriores ao texto em estudo (é o que costuma-se chamar de contexto imediato). Algumas vezes, para um melhor entendimento do contexto é necessário analisar todo o capítulo, ou todo o livro em que o versículo está inserido. Outras vezes a Bíblia como um todo é o contexto que deve ser levado em consideração. Costuma-se dizer que “um versículo deve concordar com toda a Bíblia e toda a Bíblia deve concordar com um versículo”.

Vamos analisar o contexto de Mt 3:11

v.1 - E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia,
v.2 - E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
v.5 - Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão;
v.6 - E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.
v.7 - E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
v.8 - Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;
v.10 - E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.
v.11 - E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.
v.12 - Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.

Vemos por estes textos que João Batista surgiu no deserto, pregando o arrependimento e batizando todos da Judéia e circunvizinhança. O texto em estudo (v.11) faz parte do discurso de João Batista. O que motivou este discurso onde o texto em questão está inserido? A resposta encontramos no versículo 7:

v.7a - “E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes...”

O motivo que levou João Batista a pronunciar tais palavras foi a presença dos fariseus e saduceus.
E qual foi o teor de sua mensagem? Foi, claramente, uma advertência sobre a necessidade de real arrependimento e as conseqüências do não arrependimento.

v.7b – “...Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
v.8 – “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”
v.10 – “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo”

A árvore que não produz bom fruto (o fruto digno de arrependimento – v.8) é cortada e lançada no fogo (indiscutivelmente o fogo do juízo, para onde vão todos os que não se arrependem do seu pecado)

Em seguida, João Batista contrasta a natureza do seu batismo, com a natureza do batismo de Cristo e, contrasta a natureza do batismo para os arrependidos, com a natureza do batismo para os não arrependidos...

v.11 - E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.

João contrasta a natureza física de seu batismo (com água), com a natureza espiritual do batismo de Jesus (com o Espírito). E contrasta a natureza do batismo para os arrependidos (com o Espírito Santo) e a natureza do batismo para os não arrependidos (com fogo).

Cristo é quem batizará os arrependidos com o Espírito Santo e é, também, quem batizará os não arrependidos com fogo (fogo de juízo; de condenação).

Confirmando esta verdade temos o versículo seguinte...

v.12 - Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.

Cristo tem a pá em sua mão. Ele mesmo recolherá o seu trigo (os arrependidos) e, Ele mesmo queimará a palha (os não arrependidos) no fogo que nunca se apaga (fogo de tormento eterno – Ap 20:10-15).

Com isto, concluímos que há uma clara conexão no contexto imediato. Quando atribuímos o significado de 'juízo' ao 'fogo' no versículo 11, temos plena harmonia com os versículos 7, 8, 10 e 12.


Analisaremos agora segundo a lei dos textos paralelos.

2. Lei dos textos paralelos – Esta lei define que um texto deve ser interpretado com o auxílio de outros textos que tratam do mesmo assunto.

Pela lei do contexto chegamos a conclusão que o “fogo” trata-se do fogo do juízo, levando-se em conta que o discurso de João Batista foi uma advertência dada, principalmente, aos fariseus e saduceus. Vamos analisar esta questão verificando os textos paralelos deste episódio: Mc 1:4-8; Lc 3:2-3, 6-9, 16-17 e Jo 1:29-33.

Em Mc 1:4-8 temos:

v.4 – Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados.
v.5 – E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
v.6 – E João andava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.
v.7 – E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas.
V.8 – Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

Notem que o evangelista Marcos não cita a presença dos fariseus e saduceus, nem tampouco traz a pregação de advertência descrita em Mateus 3:7-10,12. Marcos deu ênfase a mensagem pregada aos arrependidos, logo, apenas contrastou a natureza de seu batismo, com a natureza do batismo de Cristo:

V.8 – Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

Não citando os fariseus e saduceus, nem a mensagem de advertência, omitiu-se o “fogo”.

Em Lc 3:2-3,6-9,16-17 temos:

v.2 – Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.
v.3 – E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados;
v.6 - E toda a carne verá a salvação de Deus.
v.7 – Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?
v.8 – Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.
v.9 – E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.
v.16 – Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
v.17 – Ele tem a pá na sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.

Notem que o evangelista Lucas, embora não tenha feito uma menção direta aos fariseus e saduceus, descreveu todo o rigoroso discurso de advertência de João Batista. Isso deixa claro que Lucas apresentou a mensagem de João direcionada aos arrependidos e aos não arrependidos. Mas podemos inferir pelo texto de Lucas que os fariseus estavam presentes, pois há uma exortação direcionada aos judeus lhes ensinando que não deveriam ser arrogantes por serem filhos de Abraão (v.8 - confiram ainda com Jo 8:33). Sendo assim ele descreve as palavras de João da seguinte forma:

v.16 – Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

Lucas descreve a árvore que não produz bom fruto e é queimada no fogo; descreve a palha que é queimada no fogo que nunca se apaga e, portanto, descreveu a natureza do batismo para os não arrependidos (com fogo).

Em  Jo 1:29-33 temos:

v.29 – No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
v.30 – Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.
v.31 – E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água.
v.32 – E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.
v.33 – E  eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

O apóstolo e evangelista João, traz a descrição sobre o batismo de Jesus, para o dia seguinte do interrogatório de João Batista pelos fariseus (v.29). Analisando os quatro evangelhos (que não são contraditórios, mas sim complementares) percebemos que, num dia, João Batista vendo que os fariseus e saduceus vinham ao seu batismo, fez o discurso de advertência. Ainda neste dia João Batista foi interrogado pelos fariseus (Jo 1:19-28) e, no dia seguinte, Jesus veio para ser batizado. Nesta ocasião o Evangelho de João não menciona a presença dos fariseus e é onde encontramos a confirmação de João Batista:

v.33 – E  eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

Não havendo a presença dos fariseus e saduceus, não há advertências, nem, tampouco, “o batismo com fogo”.

Portanto, pela lei dos textos paralelos podemos concluir que “fogo” denota juízo e, por isso, está sempre associado a mensagem de advertência pela presença dos fariseus e saduceus (que foram, também, duramente advertidos por Jesus, por serem hipocritas).


Agora vamos fazer uma breve análise segundo o princípio hermenêutico do “autor como elemento determinante do significado”

3. Lei do autor – Deve-se, sempre que possível, comparar outros escritos do mesmo autor em estudo. Os autores bíblicos escreveram seus livros em épocas diferentes, em lugares diferentes, sob circunstâncias diferentes... comparar os escritos de autores que viveram em épocas semelhantes, também pode ajudar na interpretação do texto.

Segundo este princípio, faremos uma comparação dos escritos de Lucas que tratam deste assunto.

Com já vimos anteriormente, no Evangelho segundo Lucas encontramos a pregação de advertência de João Batista e, conseqüentemente, a distinção dos “batismos” (com o Espírito Santo e com fogo). Se analisarmos o livro dos Atos dos Apóstolos, também de autoria de Lucas, encontraremos no capítulo 1 a promessa do batismo por Jesus. E assim foi descrita:

“Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1:5)

Aqui cabe a pergunta: Por que o evangelista Lucas disse em seu evangelho que seriam “batizados com o Espírito Santo e com fogo”, mas em Atos disse “sereis batizados com o Espírito Santo” somente?

A resposta, mais uma vez, gira em torno da questão: “quem eram os seus ouvintes?”

No Evangelho, Lucas menciona que João Batista se dirigiu à multidão que vinha se batizar e sabemos pelos textos paralelos que seu discurso foi motivado pela presença dos fariseus e saduceus em meio à multidão. Já no livro de Atos, o discurso foi dirigido aos fiéis discípulos de Jesus que o viram ressurreto. Estas ocorrências, mais uma vez, apontam para a aplicação de “juízo” à palavra “fogo”. Quando a mensagem foi dirigida aos arrependidos e não arrependidos, a afirmação foi “sereis batizados com o Espírito Santo e com fogo”; quando a mensagem dirigia-se somente aos arrependidos, a afirmação foi “sereis batizados com o Espírito Santo”.

Além deste texto temos ainda as palavras do apóstolo Pedro descritas em At 11:16, quando ele dava testemunho sobre o batismo do Espírito Santo também sobre os gentios:

v.16 - E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.

Mais uma vez,  quando a mensagem é dirigida aos discípulos fiéis o "fogo" é omitido.

E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo
Atos 11:16
E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo
Atos 11:16
E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo
Atos 11:16

Conclusão
Tanto o contexto, quanto os textos paralelos e a análise do autor como determinante do significado, remetem ao “fogo do juízo” (o fogo que nunca se apaga) o significado do termo “fogo” em Mt 3:11. Jesus é quem batiza com o Espírito Santo e também quem batizará no fogo do juízo.


3 de abril de 2011

1Jo 1:8 - O pecado e o perdão

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”


A existência do pecado é uma realidade, ainda que muitos discordem disso nos dias de hoje. “Pecado” é uma tradução do grego “amartia” e em seu sentido literal quer dizer: “errar o alvo”.

A humanidade foi criada a imagem e semelhança de Deus e deveríamos espelhar o Seu caráter. Sempre que agimos, falamos ou pensamos fora dos padrões estabelecidos pelo caráter Santo de Deus, pecamos, pois erramos o alvo do propósito de Deus para nós em nossa criação. E o salário do pecado é a morte!

Mas Deus estabeleceu uma maneira para que pudéssemos nos livrar da culpa pelo pecado. Ele providenciou que outro morresse em nosso lugar. E para obter o perdão de nossos pecados só precisamos crer naquele que o Pai providenciou: Seu Filho Jesus Cristo – O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Pelo Seu amor inexplicável Deus nos proporcionou de graça a nossa salvação. Mas em nossa soberba acreditamos que podemos fazer algo que possa nos garantir o mérito da nossa redenção. Este engano nos afasta da maravilhosa dádiva do amor de Deus: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

Só Jesus tem o poder de nos purificar do pecado. Portanto "se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1:9). O perdão não depende daquilo que eu faço, mas daquilo que Jesus fez por mim, “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7)

9 de fevereiro de 2011

Livre-arbítrio - Uma resposta a meu amigo

Uma resposta a meu irmão em Cristo Juvenil Lino do blog Reflexões Bíblicas sobre a questão do livre-arbítrio. Com base em seu texto “Deus nos deu o livre-arbítrio?”


Falar sobre a liberdade humana e a soberania de Deus é um assunto extremamente complicado e que suscita uma série de questões. Eu confesso que sou muito pequeno para trazer uma resposta contundente sobre o assunto, até mesmo porque, eu nem consigo entender muito do que leio a respeito. Eu reconheço minhas limitações. Mesmo assim, eu gostaria de apresentar meu ponto de vista sobre esta questão, mais precisamente, minha resposta ao seu ponto de vista.

Discussões sobre o Livre-arbítrio

Reflexões e discussões sobre a liberdade do homem (ou a ausência dela) existem desde a muito tempo na igreja cristã. Essa não é uma ideia que vem do arminianismo, como você declarou. Segundo Alister E. McGrath em Teologia sistemática, histórica e filosófica - Shedd Publicações – 2005 – o termo livre-arbítrio foi introduzido na igreja ocidental pelo teólogo Tertuliano no século II e foi trabalhado por Agostinho que nasceu no século IV, muito antes, portanto, de Armínio que nasceu no século XVI. Mas filósofos já deliberavam sobre este assunto muito antes de Cristo nascer. O próprio Tertuliano usou este termo emprestando-o do estoicismo que surgiu no século III a.C.

Este é um tema traz profundas implicações sobre vários aspectos da nossa vida. A noção de livre-arbítrio incidi, por exemplo, diretamente na questão da responsabilidade moral de nossos atos. Já na conclusão de seu tratado, usando de retórica, você faz as seguintes perguntas:

”Tem-se liberdade por que prestar contas?

Se Deus me deu livre-arbítrio por que tenho que dar contas de meus atos?

E que moral Deus tem de me cobrar os atos de uma liberdade que ele me [deu]?”

Mas perceba que a liberdade e a responsabilidade não são excludentes.

Deixe-me ser extremista para esclarecer meu ponto de vista:

Imagine que um homem possua um robô de controle remoto. Imagine que este homem coloque nas mãos deste robô uma arma e controlando-o a distância, dispare e mate outro homem. Diante deste cenário eu pergunto: qual foi a responsabilidade moral do robô neste homicídio? Nenhuma! Ele não possui volição, nem capacidade de julgamento e suas ações foram totalmente determinadas pelo homem que o controlava.

Num caso de ausência total de liberdade seríamos como este robô. Não seríamos agentes livres e a responsabilidade de nossas ações seria inteiramente da causa determinante (na alegoria, do homem com o controle remoto). Portanto, se não há opções de escolha e se a ação independe da minha vontade, como posso ser responsabilizado moralmente por qualquer coisa? É justamente por termos liberdade que podemos ser responsabilizados por nossos atos.

Buscando uma definição

Não é simples definirmos o que significa “livre-arbítrio”, porque devemos levar em consideração que há mais de uma interpretação a cerca do que deve ser considerado uma pessoa realmente “livre”.

De modo geral e simplista, “livre-arbítrio” é popularmente definido como ”o direito de escolha” ou “liberdade para escolher”, entendendo-se por isso ser a liberdade que cada pessoa tem para julgar e decidir que ação tomar diante de determinada situação. É com este sentido que a grande maioria das pessoas, cristãs ou não, empregam esta expressão.

No campo da filosofia há uma infinidade de conceitos. Dentro da teologia eu quero destacar duas interpretações para o livre-arbítrio:

Livre-arbítrio libertário – Casa-se bem com a definição que você apresentou:
”É a liberdade que o homem tem de tomar decisões sem constrangimento e a crença de que o comportamento humano é autônomo"
Define-se como a possibilidade de alguém poder fazer mais de uma escolha em determinada circunstância, isto é, diante de uma situação “X” eu posso escolher entre a ação “A” ou “B”, ou ainda, entre “A” e “não A”. Perceba que se eu tiver a opção de agir ou não agir, isso também me dá mais de uma opção de escolha.

Dentro desta definição, qualquer circunstância que nos deixasse com apenas uma escolha, sendo impossível escolher outra coisa, isso anularia nosso livre-arbítrio.

Livre-arbítirio compatibilista ou determinismo suave – Define-se como a possibilidade de alguém tomar uma decisão voluntária; é a possibilidade de alguém fazer o que deseja desde que esta decisão não seja, nem fisicamente forçada, nem psicologicamente coagida.

Embora as diferentes definições pareçam ser iguais na prática, há, na verdade, uma profunda diferença. Os compatibilistas admitem, por exemplo, que se uma pessoa possuir um caráter formado e “solidificado” de uma maneira tal que em determinada situação ela venha a tomar uma decisão que seja inevitável, por causa da formação do seu caráter, essa decisão ainda assim, foi livre e moralmente significativa. Os libertários não admitem essa possibilidade. Se a decisão foi “inevitável”, logo não havia outras opções de escolha e isso equivaleria dizer que esta decisão não foi moralmente significativa e, portanto, não foi totalmente livre.

É claro que para o desenvolvimento de cada um destes pensamentos há muito mais o que ser dito, pois cada posionamento gera suas respectivas implicações e questionamentos e seus defensores “lutam” para explicá-las adequadamente. Eu, como já disse, sou muito pequeno para entrar em uma discussão tão complexa e creio que, para o que me proponho nesta resposta, o que apresentei já é suficiente.

Analisando sua argumentação

Perceba que seja qual for a definição que se assuma por "livre-arbítrio" dentre as apresentadas, a imposição de regras, leis ou mandamentos, não anula o livre-arbítrio, uma vez que obedecer ou não já constitui uma questão de escolha e depende da vontade de cada um.

Portanto, o fato de Deus ter ordenado não comer da árvore do conhecimento, não anula o livre-arbítrio de Adão de optar por obedecer ou não, nem tampouco a liberdade de Eva de apreciar o fruto, julgá-lo agradável e voluntariamente comer o que lhe era desejável. Assim, considerar o livre-arbítrio do homem inexistente, por haver Deus estabelecido que cumpramos a Sua vontade é uma falha de conceito, já que a própria rebeldia já consiste em uma questão de escolha vonluntária.

Da mesma forma, quando Deus apresenta, diante do povo de Israel, as consequências que suas ações trariam (a bênção ou a maldição (Dt 11:26-28)), isso não limitou o livre-arbítrio de cada um, ainda que Deus tenha exigido obediência, pois segundo o que você mesmo declarou...
”[A ação], de acordo com essa teoria do livre-arbítrio, é uma escolha livre, mesmo quando o indivíduo sabe que a ação escolhida pode trazer consequencias graves”
Apresentando como exemplo a analogia “a porta estreita e a porta larga (Mt 7:13)” você usou como argumento de que a imposição de condições essenciais para herdarmos os céus quebra qualquer impetração de liberdade. Mas ao contrário do que você declarou em seu texto, livre-arbítrio não nos remete a “facilidades”, e sim a “vontade”, assim sendo, viver em renuncia, em dedicação, em santificação, não se trata da exclusão do livre-arbítrio, mas do exercício que fazemos dele, já que a responsabilidade é toda minha se, me desviando da porta estreita, eu entrar pela porta larga.

Outro problema que a sua argumentação levanta é o fato de tratar do livre-arbítrio por um viés puramente moral. Mas toda nossa vida é regida por uma infinidade de questões de ordem puramente natural. Pense, por exemplo, em todas as decisões que precisamos tomar do momento em que levantamos até a hora de irmos trabalhar... Em que momento levantar; quando tomar banho; lavar ou não o cabelo; como pentear o cabelo; com gel? Sem gel? Penteado? Arrepiado? Que tipo de roupa usar; qual cor de roupa usar; preta? Vermelha? Tomar ou não café-da-manhã; o que tomar no café-da-manhã... Quase que ininterruptamente precisamos tomar decisões e fazer escolhas. Em quais destas situações somos privados de livre-arbítrio? – Pergunto sob a ótica do objetivo do seu tratado de desautorizar a ideia de que Deus nos deu o livre arbítrio.

A soberania de Deus e a liberdade do homem

Neste momento quero deixar claro que, embora defenda o livre-arbítrio do homem, de forma alguma nego a soberania de Deus. Deus é soberano e pode interferir sim no livre-arbítrio do homem quando bem entender para cumprir os seus propósitos. Mas não acredito que Ele faça isso privando o homem de toda a sua liberdade – isso seria o mesmo que dizer que Deus é responsável pelo pecado (como apresentei na alegoria do robô).

Mesmo no caso de Faraó em que Deus claramente declara que endureceria seu coração, não consigo enxergar que seu livre-arbítrio tenha sido totalmente suprimido, pois do mesmo modo que as Escrituras declaram que Deus endureceu o coração de Faraó (Ex 4:21; 7:3; 9:12; 10:1,20,27; 11:10; 14:4,8), também declara que Faraó, por sua própria determinação, impediu que o povo saísse (Ex 3:19; 7:13,22; 8:15,19,32; 9:7,34-35; 13:15). Isso mostra não só a soberania de Deus determinando os atos para cumprirem o Seu propósito, como também a liberdade do homem atuando conforme a obstinação de seu próprio coração. Esta é uma situação de ocorrência duplamente causada. É a isso que os compatibilistas chamam de doutrina da “concorrência”, quando um mesmo evento é, ao mesmo tempo, plenamente (cem por cento) causado por Deus e plenamente (cem por cento) causado pela criatura que o realiza. Lembre-se que segundo o conceito compatibilista de liberdade, ainda que Deus tenha determinado uma situação, a ação humana será livre, desde que feita voluntariamente e sem coerção.

Aqui, faço uso das suas palavras:
“Deus se utiliza do livre-arbítrio do homem sem destruí-lo, apesar de não sabermos exprimir de que maneira Ele o faz”

(Neste trecho de seu tratado – “O livre arbítrio e o determinismo” – eu fiquei realmente muito confuso, pois você defendeu o livre-arbítrio do homem ao invés de desautorizá-lo)

Não podemos elevar a soberania de Deus a tal ponto em que a liberdade do homem e a sua responsabilidade sejam eliminadas, nem tampouco exaltar a liberdade do homem a ponto de eliminar a soberania de Deus.

Neste conflito entre o livre-arbítrio (liberdade do homem) e a soberania de Deus (liberdade de Deus) não há como não relegarmos nossa reflexão ao vasto mundo dos Mistérios de Deus.

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29:29)

Fomos criados a imagem e semelhança de Deus

Deus nos criou a Sua imagem e semelhança para que pudéssemos ter comunhão com Ele. O Senhor não criou “deuses” na terra, mas criou seres que podiam refletir, de certo modo e em certo grau, a Sua moral, o Seu intelecto, a Sua volição. Este padrão estabelecido por Deus na criação, inevitavelmente, concede aos homens livre-arbítrio, já que nos foi dado capacidade de julgar o que é bom (pesar as consequências dos nossos atos) e de optar pelo que nos é desejável – ainda que esta escolha implique em desobedecer as ordens de Deus.

A responsabilidade da ação humana (inexistente sem liberdade) não se trata de um conceito arminiano, ou calvinista, ou exclusivo de qualquer corrente teológica, mas é uma verdade bíblica aceita e defendida por qualquer cristão sincero.

Sei que sou leigo no assunto, mas acredito que a maior parte das discussões sobre o livre-arbítrio não é um debate sobre a existência da liberdade em si, mas da amplitude dessa liberdade e sua relação com a soberania de Deus. Até mesmo porque, a "Confissão de fé de Westminster" (reformada e calvinista) também confirma a liberdade e a responsabilidade dos homens:

"Deus, desde toda a eternidade, por meio do seu mais sábio e santo conselho, de sua própria vontade, livre e imutavelmente, ordenou o que quer que seja que aconteça; contudo, por meio disso, Deus não é o autor do pecado; nem isso é uma violência à vontade das criaturas, nem é a liberdade ou a contingência de segundas causas suprimida, mas, em vez disso, estabelecida" (grifo meu)

Contradições

Eu entendi qual foi o objetivo do seu estudo, mas seu posicionamento está muito confuso. Ora você nega completamente a existência de livre-arbítrio, ora você o defende. Num momento você aplica um conceito para “livre-arbítrio”, noutro transmite uma ideia totalmente diferente.

Você inicia seu tratado definindo o livre-arbítrio como a liberdade que o homem tem de tomar decisões sem constrangimento, mas conclui atribuindo a esta liberdade o mesmo significado de “libertinagem”:
“Deus não deu o livre-arbítrio ao homem, essa pseudo-liberdade foi uma herança (...) de Adão e seremos julgados por essa orgulhosa liberdade (libertinagem)”

É bom lembrarmos que o que herdamos de Adão não foi a liberdade, mas a natureza pecaminosa

Isso se torna mais problemático quando lemos que sua...
“...intenção é sem dúvida desequilibrar a posição dos arminianos leigos que sempre declaram que DEUS deu livre-arbítrio ao homem”
Isso nos leva a crer que você esteja atribuindo aos arminianos uma "defesa da legalidade de vivermos dissolutamente". Mas não acredito que arminianos, ou pentecostais, ou qualquer outro grupo genuinamente cristão defendam a libertinagem. Tenho certeza que você também não acredita. Qualquer arminiano poderia defender-se dizendo que a libertinagem é o resultado do uso irresponsável do livre-arbítrio e não o próprio livre-arbítrio.

Você criticou os arminianos por defenderem o livre-arbítrio, mas sua argumentação não confrontou o entendimento arminiano de liberdade. Na verdade você apresentou uma definição de livre-arbítrio (que se encaixa com o pensamento arminiano), mas desenvolveu o tema atribuindo um outro sentido ao termo – e ainda assim insistiu que esta era a visão arminiana.

Dentro da argumentação que você fez, podemos encontrar, ainda, uma contradição lógica.

Levando-se em consideração toda a argumentação que você apresentou nos tópicos “Exegese Bíblica” e “Conclusão”, podemos entender que, segundo o seu entendimento, a imposição de condições ou a existência de mandamentos e leis anulam nosso livre-arbítrio e, por não haver livre-arbítrio seremos julgados por nossos atos. Bem, com este entendimento de liberdade e responsabilidade humanas, analisemos as seguintes declarações:
  1. Deus não deu o livre-arbítrio ao homem, essa pseudo-liberdade foi uma herança (...) de Adão e seremos julgados por essa orgulhosa liberdade (libertinagem)
  2. Somos servos de Deus e não gozamos da liberdade de fazer aquilo que é pecado...
  3. A “imposição de condições” quebra qualquer impetração de liberdade...
  4. Este estudo é uma desautorização do livre-arbítrio do Cristão, só o homem separado de Deus o tem
  5. ...escravo ou servo, [são] pessoas que vivem abdicando dos direitos de liberdade. Nós Cristãos (...) negamos a libertinagem e (...) renunciamos esse maldito livre-abítrio...
Contradição 1
  • Se o homem separado de Deus tem esse livre-arbítrio (4), então...

  • Ele goza de liberdade para fazer aquilo que é pecado (2), pois...

  • Para o homem separado de Deus que tem livre-arbítrio não há qualquer imposição de condições (3), logo...

  • Os homens separados de Deus não serão julgados, pois só os cristãos que não possuem livre-arbítrio serão julgados (1) Afinal de contas...

  • Tem-se liberdade por que prestar contas?


  • Contradição 2

  • Se Deus não deu livre-arbítrio ao homem (1) e só o homem separado de Deus o tem (4), então...

  • Adão e Eva foram os únicos a serem privados de livre-arbítrio, já que depois da queda todos estavam separados de Deus. Isto posto, podemos crer que Jesus morreu para redimir somente a Adão e Eva, já que todos os demais têm o livre-arbítrio (4) e gozam da liberdade para fazer aquilo que é pecado (2), não carecendo, portanto, de salvação.


  • Perceba que o conceito de livre-arbítrio não pode diferente para cristãos e não cristãos. A mesma liberdade concedida a um, deve necessariamente ser concedida ao outro. O que vai mudar são as consequências geradas pelas ações dentro desta liberdade.

    Contradição 3
  • Se servos são pessoas que vivem abdicando dos seus direitos de liberdade (5), então...

  • Não é possível negar que estes servos possuam liberdade, pois não se abdica de um direito que não se possui.

  • Se o cristão não possui livre-arbítrio (4), então...

  • Não há o que se renunciar (5), mas se renunciamos esse maldito livre-arbítrio (5), então...

  • Não podemos negar que o possuímos, pois não é possível renunciarmos de algo que não temos.


  • Estes pontos tornam confusa a sua interpretação de livre-arbítrio.

    Entendi também que sua argumentação sobre o livre-arbítrio incide mais na questão da “legalidade” (o que devemos fazer), do que na questão da “possibilidade” (o que temos a capacidade de fazer) e de acordo com este raciocínio, nenhum cristão sincero discordaria de você. Algum cristão sincero discordaria que todos nós estamos sujeitos a pecar (temos a capacidade), mas que de modo nenhum devamos pecar?

    Certo é que nenhum cristão verdadeiro defenderia a existência do livre-arbítrio como justificativa para permanecer no pecado.

    A vida que vivemos, vivemos na fé do Filho de Deus e aguardamos ansiosos pelo dia que seremos livres até da vontade de pecar, mas até que este dia chegue, infelizmente, teremos que encarar a verdade de que o pecado é uma realidade em nossas vidas, mais frequente do que gostaríamos que fosse.

    Nós oramos sim ao Pai, pedindo que a Sua vontade seja feita, mas porque sabemos que por causa da nossa atual condição carnal, não corresponderemos a santidade de Deus se fizermos a nossa própria vontade.

    Mas infelizmente não somos impedidos de pecar... melhor seria se fôssemos!

    Este assunto é importante, profundo e levanta muitas questões. Por isso, eu, com toda a humildade, sugiro a você que analise seus argumentos e reveja a apresentação de seu tratado, afim de explicá-lo com maior clareza. Sei que sua intenção não foi levantar polêmica pela polêmica, mas para trazer edificação pela luz do evangelho de Cristo.

    Fiquei a vontade para lhe escrever esta resposta porque sei que você, não só, esperava por críticas e mais críticas, mas também porque sabe o quanto o admiro e o amo em Cristo Jesus. Esta resposta não é, portanto, fruto de afronta mesquinha, mas de pura divergência de opiniões.

    Certamente estudos como este nos fazem refletir a cerca de nossa situação no Reino de Deus e nos levam a confrontar velhas certezas. Isto nos enriquece e muito!

    Fica na Paz do Senhor, amado!

    Seu irmão em Cristo

    Dovaniano

    14 de dezembro de 2010

    A Liberdade pela Verdade - parte 2

    ...

    O cristão, aquele que segue a Cristo, tem a liberdade do poder pecado. Diante da tentação, diante da oportunidade de pecar, o cristão tem a capacidade de resistir e dizer não! Todos os libertos em Cristo tem o poder de agir de acordo com a vontade de Deus. Os que furtavam, agora têm o poder para não furtar mais; os que se prostituíam, agora podem optar por consagrarem-se ao Senhor; os que mentiam têm o poder para não mentirem mais; os avarentos agora podem se desprender em doações e caridades; os maldizentes têm a capacidade de se tornarem intercessores e abençoadores, inclusive, dos que os perseguem. Somos livres do pecado em Cristo Jesus para servimos de todo o coração ao nosso Deus.

    A liberdade que Cristo nos dá é também a liberdade do poder de Satanás sobre nossas vidas. Satanás tem muito poder sobre a mente não regenerada. A estes, Satanás conduz como quer, por isso precisamos ter em mente as palavras do apóstolo Paulo: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6:12).

    Sobre a vida do cristão, Satanás tem seu poder limitado. Ele pode nos tentar, pode nos oprimir, pode nos oferecer oportunidades, mas não pode nos fazer pecar. O pecado é uma decisão pessoal. Segundo Tiago “...cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1:14). Satanás pode intensificar uma tentação, mas somos libertos em Cristo e podemos resistir e vencê-lo. O que disse Jesus? “se permanecerdes na minha palavra ... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Em conformidade com esta palavra Tiago disse: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7). Permanecer nas palavras de Cristo é nos sujeitarmos a Deus, deste modo conheceremos a verdade que nos dá a liberdade do poder de Satanás, para sermos capazes de resisti-lo e assim ele fugirá de nós – não pelo nosso poder, mas pela força que opera em nós por Cristo Jesus.

    A liberdade, a verdadeira liberdade, começa quando recebemos a Jesus em nosso coração. A partir desse momento somos selados pelo Espírito Santo. O Espírito Santo de Deus passa a fazer morada em nós e, então, passamos a ser transformados por Ele, regenerados por Ele dia após dia. É no ato da nossa conversão que recebemos de Deus a nossa liberdade: o poder de fazer o que deve ser feito.

    A Palavra de Deus também nos revela que essa liberdade cristã precisa ser conservada, precisa ser preservada.

    Jesus nos disse: “se permanecerdes...” É necessário permanecemos em Jesus e estarmos em comunhão com Ele. Na mesma medida em que nos afastamos de Cristo, também nos afastamos da nossa liberdade. A nossa liberdade, isto é, a nossa capacidade de fazer o que é correto, a capacidade de resistir ao pecado, só pode ser mantida se estivermos ligados em Jesus. Precisamos permanecer na sua vontade para não voltarmos à escravidão do pecado. Sendo assim, precisamos fazer uma auto-análise - julgar a nós mesmos - para saber até que ponto nós estamos realmente libertos em Cristo. Olhe para dentro de você agora e analise. Há algum pecado, algum vício que tem te escravizado? Tem algum pecado que tem sido recorrente em sua vida? Algo que realmente o está aprisionando? Se isso acontece, pode ser que você tenha deixado de lado a conservação da sua liberdade!

    Vamos ler dois textos:

    “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gl 5:17)

    “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 6:7-8)

    Não podemos ignorar a batalha espiritual que enfrentamos todos os dias, nem mesmo podemos tratar esta batalha como algo de pouca importância. “... a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne...” Há uma luta constante dentro de cada cristão. É bom frisarmos que “carne” neste versículo, não se trata da parte material do ser humano, mas sim dos desejos provenientes da nossa natureza decaída. É fundamental à vida cristã que nós perseveremos em andar no Espírito, semeando no Espírito, alimentando o nosso espírito. E como é que semeamos no Espírito? É com a leitura da Palavra, oração, comunhão com Deus e jejuns. É muito bom quando conseguimos separar um momento do nosso dia para meditarmos na Sua Palavra e entrarmos na Sua presença. Nós precisamos nos esforçar para que nossa rotina diária, nossa lida de todo dia, não nos tirem o interesse pelas coisas do Reino. Só alimentando o espírito é que poderemos vencer a escravidão do pecado, porque é a ação regeneradora do Espírito Santo que nos dá liberdade.

    Portanto, a liberdade que desfrutamos em Cristo, não é uma liberdade para o mal, mas para a justiça; é a liberdade para servirmos a Deus e amarmos ao próximo com desprendimento e piedade.

    “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”

    Aqui há mais um ponto que precisamos definir: o que é verdade? Qual é a verdade que liberta? Como podemos definir o que é essa verdade que pode nos libertar?

    Podemos definir a verdade como: “a conformidade do dito com o feito; do discurso com a realidade”.

    Mas o que acontece, muitas vezes, é que a realidade nem sempre pode ser comprovada. Elas apenas podem ser cridas e aceitas como verdade. A realidade do céu e do inferno, por exemplo; a realidade da vida após a morte; e para alguns, a realidade do Próprio Deus. Já que não têm comprovação, o povo passa a buscar as suas respostas em todos os meios possíveis, a fim de satisfazerem suas indagações a cerca da vida: na ciência, na filosofia, nas religiões...

    Então cada grupo apresenta a sua verdade para as realidades que não podem ser facilmente comprovadas. Os cientistas buscam as suas verdades analisando o que pode ser observado. A verdade dos cientistas está naquilo que eles podem ver. Mas como a ciência não tem respostas para todas as coisas e a curiosidade do homem não tem limites, esses homens nunca deixaram de usar uma boa medida de imaginação para apresentarem as suas verdades. Essas mentes distantes de Deus, imaginaram que o surgimento de todo o universo e a origem da própria vida são um mero capricho do acaso: num momento de extrema sorte, uma série de eventos sucessivos ao longo de trilhões e trilhões de anos culminou no aparecimento da Terra e de toda a diversidade de vidas sobre a Terra. E os que pensam assim são em sua maioria ateus. Se há uma coisa que ache irracional e ilógico e a crença do ateu. Certa vez ouvi uma proposição mais ou menos assim:

    Imaginemos o seguinte: um imenso espaço, como um galpão ou um estádio de futebol coberto. E dentro deste lugar não há absolutamente nada, está totalmente vazio. Está completamente limpo, não há nem um grãozinho de poeira, não há nem mesmo um único micróbio neste lugar. Além disso, o lugar está hermeticamente fechado e não há ar dentro deste lugar, nem uma partícula de oxigênio ou qualquer outro elemento. Nada pode entrar lá e nada pode sair de lá. Vamos imaginar que este mesmo lugar permaneça assim por alguns trilhões de anos e, ao término deste tempo, ele seja aberto. O que é que encontraríamos lá dentro? NADA! Ora, é claro que não acharemos nada! Não é possível que algo apareça espontaneamente do nada. O “nada” não pode produzir coisa alguma. Todas as coisas que existem, tudo o que há, teve um princípio e o princípio de todas as coisas só pode ser Deus!

    “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1)


    Assim começa as Escrituras Sagradas. Deus criou os céus e a terra. O mais interessante é que o verbo “criou” no original hebraico, é “bara” (אבָּרָ). Este verbo só é usado na Bíblia quando se refere a Deus, pois seu significado é criar a partir do nada. Só Deus pode criar do nada todas as coisas! Glória da Deus!

    Então não há ninguém que possa chegar diante de Deus, no último dia e dizer: “Senhor, me perdoe porque eu não sabia que o Senhor existia. Ninguém veio até mim para dar testemunho de que o Senhor existia!”. Ninguém poderá dizer isso ao Senhor porque os céus e a terra anunciam a Sua Glória.

    “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1)

    “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1:20) ARA

    A criação anuncia a verdade de que Deus existe. Ninguém pode dizer que não sabia de Sua existência. Não há desculpas! Nem para cientistas, nem para ateus, nem para filósofos, nem para ninguém.

    Assim, cada grupo anuncia a sua própria verdade. Mas qual é a verdade? Qual a diferença entre a verdade anunciada pelos povos e a verdade anunciada pelos cristãos?

    A verdade dos povos é um conjunto de conceitos, propostas e formulações de homens. Estes conceitos são independentes das pessoas que os criaram.

    As “verdades” que o Siddhartha Gautama, chamado o Buda, deixou, são seguidas pelos seus adeptos até os dias de hoje, mesmo sem a sua presença. Buda não é necessário no budismo.

    Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, escreveu vários livros que hoje norteiam o espiritismo. Allan Kardec se foi e o espiritismo permanece. Allan Kardec não é necessário ao espiritismo.

    E assim é também, com todos os fundadores de filosofias e religiões; suas verdades são meras proposições de suas mentes. Mas a verdade cristã não é um conjunto de idéias sobre algum fato. A verdade para o cristão não se trata de um discurso ou testemunho, mas sim de uma Pessoa: Jesus Cristo nosso Senhor! Jesus é a verdade.

    “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6)

    As palavras de Jesus sempre foram atreladas a sua própria pessoa de tal forma que é impossível haver cristianismo sem Jesus Cristo.

    Há muitos que dizem: “Todas as religiões levam a Deus”. E com essa verdade eu tenho que concordar, pois todos havemos de comparecer ante Aquele a quem devemos de prestar contas. Mas só há uma maneira de alcançarmos a salvação: pela verdade que é Jesus Cristo, só em Cristo há salvação:

    “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12)

    Jesus Cristo é a verdade que liberta.

    “Se permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade nos libertará”

    Jesus é o Verbo que se fez carne; a expressa imagem do Ser de Deus; e nEle habita toda a plenitude da divindade. As Suas palavras são as palavras do Próprio Deus. São as palavras que revelam a verdade do Reino de Deus, a verdade que liberta e que salva a todo aquele que nEle crê. Só em Cristo permaneceremos na Verdade, só na Verdade viveremos em liberdade, servindo a Deus com todo o nosso coração, sem culpas, sem amarras, na plena graça de Deus.

    7 de dezembro de 2010

    A Liberdade pela Verdade - parte 1


    Quem é livre?

    Para respondermos a esta pergunta precisamos entender o que é liberdade.



    “Dizendo ele estas coisas, muitos creram nele. Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado”
    (Jo 8:30-34)


    No texto que lemos, Jesus estava exortando alguns fariseus que tinham crido nele.


    Muitas vezes, quando Jesus fazia seus sermões públicos, muitos fariseus e saduceus iam escutá-lo pregar – não porque quisessem aprender com Ele, pois julgavam já conhecer toda a verdade e se gabavam por conhecer e obedecer a lei, mas porque queriam encontrar alguma coisa com o que acusá-lo – Então, numa dessas pregações públicas, os fariseus, mais uma vez, questionaram a Sua autoridade e Jesus fez a sua defesa. Falando de maneira dura Ele defende a Sua posição e não obstante a dureza das Suas palavras, muitos vieram a crer nEle. Aos que creram Jesus fez a exortação que acabamos de ler. Jesus disse que seriam livres quando conhecessem a Verdade.

    Essas palavras foram recebidas com estranheza pelos judeus. Os judeus, quando ouviram falar da liberdade, já imaginaram a liberdade sobre a opressão de outro homem, da relação de servo e senhor que havia na sociedade da época. Mas Jesus estava falando de algo muito maior. Jesus estava falando da liberdade espiritual, não de uma liberdade meramente física.

    Liberdade é um conceito muito relativo. De um modo geral podemos definir liberdade como o direito que temos de proceder conforme bem nos pareça, sem que isso interfira no direito do outro.

    Mas ao analisarmos a Bíblia, o conceito para liberdade pode ser definido da seguinte forma:

    a capacidade de fazer o que deve ser feito, segundo a vontade de Deus


    Era sobre essa liberdade que Jesus falava.

    “Se permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”

    Aqueles judeus não entenderam isso! Para eles a liberdade seria o livramento da servidão de outro homem, mas Cristo falava da servidão do pecado. As palavras de Jesus àqueles judeus: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (v 34), foram também usadas pelos apóstolos Paulo e Pedro. Em 2Pe 2:19 o apóstolo Pedro declarou que nos tornamos servos daquele que nos vence.

    Quando Adão foi vencido pela sua tentação no jardim do Éden, ele tornou-se servo dos seus desejos e paixões. Sendo ele, naquele momento, o representante da humanidade, toda a humanidade caiu com ele. Todo homem natural (não regenerado) é, por natureza, servo do pecado: “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Essa natureza decaída que herdamos de Adão fez de nós escravos com ele. Por isso é impossível que o homem por si só consiga se livrar do pecado. “Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus” (Rm 5:20). Vendo Deus que não havia um justo sequer, ninguém que merecesse coisa alguma; aprouve em Seu coração, pelo Seu muito amor, nos proporcionar a redenção; um livramento. Deus pela sua graça e misericórdia nos trouxe à liberdade em Cristo Jesus. Já que era impossível fazermos qualquer coisa, Deus nos concedeu o Seu Filho para que por Ele fôssemos reconciliados com Deus e pudéssemos fazer uso de Sua força para vencermos o poder do pecado que nos escravizava. Hoje libertos por Cristo, temos paz com Deus e somos livres para servi-lo. Glória a Deus!

    O apóstolo Paulo quando tratou com a igreja de Corinto a respeito de como os servos e senhores deveriam se portar, usou uma expressão muito bonita:

    “Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo”. (1Co 7:22)

    Ninguém é livre no sentido pleno da palavra. Todos nós somos servos:

    “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Rm 6:16)

    Todos somos servos e Deus nos dá a oportunidade de escolhermos o nosso senhor. A quem você quer servir?

    ...

    1 de dezembro de 2010

    Provérbios 27:7 - A fome

    "A alma farta pisa o favo de mel, mas para a alma faminta todo amargo é doce"

    Como é difícil para nós que estamos saciados de pão entendermos a dor dos que estão famintos. Como é fácil jogarmos fora o que sobra no prato, quando nunca nos faltou o que colocarmos nele!

    Difícil é ter que encarar a miséria exposta diante de nós todos os dias! Difícil porque a miséria nos incomoda, mas, infelizmente, não nos comove!!!

    Uma questão sobre as mulheres


    Nota dez!


    Eu sei, eu sei... é uma piadinha machista! Mas foi muuuuiiito boa!!!

    8 de junho de 2010

    Frases e Pensamentos - Raul Castro

    “Somos um dos três países do Golfo do México. Estados Unidos têm petróleo, México tem petróleo. Não é possível que Deus seja tão injusto que só não dê petróleo a Cuba”


    Raul Castro
    O Presidente de Cuba que é ateu
    Num pronunciamento feito na solenidade
    em
    que a Petrobrás assinou um acordo com a Cuba Petróleo

    Nota: Pois é... Na hora do "aperto" todo ateu é "crente"!!!

    31 de maio de 2010

    Provérbios 28:06 - A riqueza

    "Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o de caminhos perversos ainda que seja rico”

    A melhor riqueza que alguém pode conseguir é uma vida com paz de espírito. A recompensa do justo pode não ser imediata, mas é mais duradoura!

    “Se tivermos o cuidado de manter uma boa consciência, podemos deixar por conta de Deus o cuidado com nosso bom nome” (Matthew Henry)

    27 de maio de 2010

    Pílulas anticoncepcionais causam aborto

    Por Ellen M. Rice
    LifeSiteNews.com, 12 de dezembro de 2008

    Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva confirma que a pílula anticoncepcional provoca aborto

    Em meio a um debate atual entre os ativistas pró-vida sobre se classificar a pílula anticoncepcional como abortiva ou contraceptiva, ativistas pró-aborto publicaram uma declaração oficial confirmando que a pílula anticoncepcional impede a implantação de embriões, provocando assim abortos.

    Num suplemento à sua edição de novembro de 2008, a mais importante revista de saúde reprodutiva, a Fertility and Sterility, publicou declaração oficial da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (SAMR) intitulada “Contracepção hormonal: recentes avanços e controvérsias”.

    Num resumo do desenvolvimento da contracepção nos Estados Unidos, a declaração considerou os anticoncepcionais orais o método reversível “mais amplamente utilizado”. Na “ampla variedade” de anticoncepcionais orais que são disponíveis, os “mecanismos de ação” são os mesmos, disse a declaração: “inibição da ovulação, alteração no muco cervical, e/ou modificação do endométrio, impedindo assim a implantação”.

    Ativistas pró-vida que se opõem ao aborto, mas não à contracepção, há muito tempo consideram a pílula anticoncepcional como uma opção contraceptiva ética, ao contrário do DIU, que provoca abortos impedindo a implantação. Contudo, a declaração da SAMR indica claramente que a pílula é medicamente classificada como uma droga que age “impedindo a implantação”, causando assim a morte de um embrião fertilizado — um ser humano vivo e único.

    Um grande volume de literatura apóia essa declaração, inclusive artigos de Fertility and Sterility. O mais importante deles é um estudo de 1996 feito por um grupo de ginecologistas da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, que concluiu que “a receptividade uterina debilitada” é “um mecanismo pelo qual as pílulas anticoncepcionais orais exercem suas ações contraceptivas”.

    Traduzido e adaptado por Julio Severo
    http://www.juliosevero.com
    Fonte:
    LifeSiteNews
    Nota: Precisamos estar atentos! Por não conhecermos as mazelas da medicina, acabamos incorrendo em pecado diante de Deus. E nem mesmo nossa ignorância pode nos redimir, pois aceitamos quase tudo que nos oferecem sem questionamentos. É mais um peso sobre nossos ombros, mais um motivo para arrependimento e clamor! Que o Senhor tenha misericórdia de nós!
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